Trabalhe e viva a sexta-feira

Trabalhe e viva a sexta-feira

Se você pudesse diminuir sua carga horária diária ou semanal, a quantidade de trabalho que leva para casa, suas atividades profissionais no fim de semana, o tempo que passa em aviões, carros, metrôs e ônibus em função de seu trabalho, você realmente diminuiria?

São frequentes as queixas de pessoas cansadas e estressadas com o tempo que precisam dedicar ao trabalho, com os prazos e as metas a cumprir, com os trajetos que precisam fazer para buscar suas encomendas ou fazer suas entregas.

Quando estamos imersos no trabalho, seja ele qual for, não percebemos que entramos em uma espiral, nem sempre ascendente.
Muitas vezes, todos os nossos esforços, nossas energias, o melhor de nós, são canalizados para atingirmos bons resultados profissionais.
Quanto mais nos empenhamos, mais enxergamos tarefas a executar, correções a fazer, objetivos a conquistar.

Se está bom, achamos que pode ficar melhor. Se está ótimo, desejamos a excelência. Passamos a funcionar como ratos da caixa de Skinner, temos reforços positivos para comportamentos esperados, seja um aumento de salário ou reconhecimento profissional. O mundo do trabalho, porém,  não é uma caixa e nós não somos ratos. Por mais que nos esforcemos, nem sempre obtemos os resultados desejados.

Algumas pessoas verbalizam seu cansaço. Outras o evidenciam através de seu olhar, expressão facial, postura, distrações e – por que não dizer? – de suas somatizações.

Como doem nossas cabeças. Como queimam nossos estômagos. Quantas alergias surgem em nossa pele.  Como facilmente cai a resistência de nossos corpos. Quantas inflamações. Quantas “ites”.
Há muito se sabe que o corpo fala. Mas você o ouve? Você se permite ouvi-lo?

Muitos simplesmente não conseguem parar. Não podem, talvez. Precisam se manter ocupados e trabalhar arduamente para não se deparar consigo mesmo. Para não ter que enfrentar seus fantasmas, medos, problemas, sua solidão.

Nunca nos faltarão motivos para continuar um ritmo frenético de trabalho.

Um padrão de vida que queremos manter ou melhorar. Filhos para criar. A manutenção do carro. O financiamento da casa. As prestações a pagar. Sonhos que somente com muito trabalho vamos conquistar. O amor pela profissão. O prazer que ela proporciona.
É isto mesmo?

Nas redes sociais há uma comoção geral quando chega a sexta feira. Há os que fazem apologia à mesma, alardeando-a como uma carta de alforria. E há um movimento contrário que apregoa que aqueles que fazem o que gostam, esquecem o dia e não tem o que comemorar no fim da semana, afinal todo dia é dia de ser feliz.

Independentemente da sua resposta à pergunta do início deste texto, sempre haverá a hora de parar, seja por vontade própria ou necessidade.

É preciso estar pronto para isso. Precisamos aprender a ficar a sós e em silêncio, na companhia de nós mesmos. Porque este é o encontro que adiamos a vida inteira, com todas as coisas que inventamos para fazer.

Comecemos comemorando a sexta feira e o fim de semana.
Mais do que isso, aproveitando-os para descansarmos e estarmos com que escolhermos. Mas, sobretudo, em nossa própria companhia.

Grayce Guglielmi Balod é Pedagoga, Psicóloga, especialista em Orientação
Profissional e Acadêmica de Filosofia Clínica. Palestrante no CONAMPRO.

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