Pronta para vivenciar Novos Desafios

Pronta para vivenciar Novos Desafios

Pronta para vivenciar Novos Desafios

Meu nome é Monica Seibel. Sou licenciada em Filosofia, especialista em Filosofia Clínica e em formação para filósofa clínica.

Quem eu sou? Estou descobrindo. Somente sei quem fui. Agora estou neste árduo, mas gratificante exercício, seguindo a orientação de Sócrates, conhece-te a ti mesmo. Até 15 de dezembro ainda sou diretora administrativa da Apae aqui da minha cidade. Digo que ainda sou, porque no dia 16 de dezembro sou uma pessoa pronta para vivenciar novos desafios. Na Apae trabalho há exatamente 20 anos. Não é pouco tempo. E não foi uma decisão fácil de ser resolvida. Emoções e sentimentos se fizeram muito presentes.

Na Apae vivenciei tantas situações que uma parte muito grande de mim é quase uma Apae (aliás, preciso resolver isso também). Lá vi pessoas crescerem, casarem, terem filhos, hoje até adolescentes, perdas de entes queridos, inclusive minha mãe. Lá vivenciei o primeiro passo de um portador de paralisia cerebral e o sorriso daquele que ouviu a primeira vez. Vi pais entrarem na escola chorando, achando que o mundo havia acabado, e hoje sorrindo e felizes pela descoberta da pessoa maravilhosa que receberam para cuidar. Fui confidente de tantos colegas. Ajudei nas separações e reconciliações.

Tive que dar noticias tristes e alegres. Lutei com todas as minhas forças por essas pessoas denominadas especiais (para mim todas as pessoas do mundo são especiais), mas é um diferencial necessário para que as demais compreendam com quem estamos trabalhando.

Foi um período maravilhoso, mas infelizmente pelo caminho vamos encontrando egos, jogos de poder e o ser humano consegue mostrar sua parte mais obscura e acabamos vitimas deles. Às vezes não é mais luta a solução e sim partir para novas direções.

Contar minha historia seria longo demais. Sou muito detalhista. Minha historicidade levou quase oito meses. Coitado do meu terapeuta. Mas como na filosofia clínica é respeitada cada singularidade fiquei tranquila.

Conheci a Filosofia Clínica no primeiro ano da faculdade através de um professor simpatizante que sugeriu um fórum de estudos sobre o tema. Quando comecei a pesquisar posso afirmar que encontrei o tesouro que procurava há tanto tempo. Minha empolgação foi tamanha que naquele momento resolvi que seria uma filósofa clínica apesar da oposição dos filósofos mais tradicionais. Nem preciso dizer tudo que escutei, mas para mim não só já estava decidido como vinha de encontro aos inúmeros questionamentos que fazia a respeito da vida, do ser humano e principalmente do papel da filosofia no cotidiano. É realmente tirar os conhecimentos das prateleiras e levar para a prática.

Fiz a faculdade esperando ansiosamente o primeiro dia de aula no Instituto Interseção em SP, o mais próximo da minha cidade. Na gíria diríamos “encontrei minha turma”. Cheguei tímida, e logo já fui me identificando com os pensadores e os instrumentais da filosofia clínica. A questão da historicidade e das ferramentas utilizadas para realmente contribuir nos questionamentos do outro para mim são uma descoberta infinita. Logo comecei minha terapia e aí minha vida realmente se transformou. A decisão de sair do meu trabalho de 20 anos faz parte do meu exercício filosófico. Mesmo de forma intuitiva sempre vi o outro como um ser com suas complexidades, a Filosofia Clínica somente confirmou e me ajudou a melhorar este pensamento.

A questão da linguagem através de Wittengenstein me auxiliou a melhorar a convivência, fundamental para quem como eu, tem que atender por dia 35 profissionais, alunos e pais. Quando consegui compreender a questão dos significados, das semioses, tudo ficou muito mais fácil. Olhar o outro na sua real construção, fez com que eu não entrasse mais em choques desnecessários e passo a ser uma investigadora da essência do outro. Minha vida se transforma neste instante, o outro é um mistério que merece meu respeito e minha dedicação.

A Filosofia Clínica transformou a minha vida em tantos aspectos que aqui na minha cidade já comecei o processo de divulgar a Filosofia Clínica como terapia. Faço cafés filosóficos clínicos que tem tido uma boa participação das pessoas. Muitas me telefonam para saber quando farei o próximo. Já estou em estágio supervisionado e minha partilhante já tem se movimentado positivamente. Muito informalmente, sem utilizar a Filosofia Clínica, a conversa se torna esclarecedora.

Poderia contar muito mais, mas creio que o essencial esta aqui. A filosofia tem esse papel fundamental de pensar junto com a pessoa sua própria existência, suas questões e maneiras de lidar com ela e na contra partida o filosofo clínico aprende com as questões do outro para também pensar sobre suas próprias questões. Nada melhor que amigos conversando (Philos e Shofia).

Monica Seibel – Ilhabela – SP

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