Depoimentos

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• A Filosofia Clínica e minhas Transformações

Sou professor titular de Filosofia Clínica no Centro de Boa Vista-RR. Minha formação em Filosofia Clínica foi marcada por muitas quebras de paradigmas quanto aos muitos conceitos e pré-juízos formados ao longo da vida. No início muitas resistências para entender todas aquelas novidades lançadas por Lúcio Packter, ainda nos anos de 1996 a 1998.

Não era fácil compreender que tínhamos uma nova concepção para entender as pessoas, que já não precisavam ser rotuladas ou presas em teorias preconcebidas e que suas questões existenciais poderiam ser abordadas por uma perspectiva dos exames categoriais para situam a pessoal no seu contexto e pela estrutura de pensamento.

No campo pessoal a Filosofia Clínica provocou uma revolução interior no sentido de ajudar a reorganizar a estrutura de pensamento, que antes estava muito confusa diante de muitos problemas existências. Conseguir reorientar minha vida para vivenciar as coisas mais belas do meu existir. Assim, compreendi o quanto é importante olhar para o outro com mais humanismo, contribuindo sempre quando for possível, para que as pessoas a quem me procure sintam-se bem.

Esse é uma breve contribuição de quem se sentiu tocado pelos conhecimentos da Filosofia Clínica.

Paulo Sérgio Rodrigues da Silva –  Boa Vista/Roraima

• Relato Singelo Sobre Uma Vida

Sou arquiteta formada pela USP há algum tempo. E trabalhei como arquiteta muito tempo. Numa feira de sebo em Curitiba, onde resido, encontrei uma revista, Filosofia, que decidi assinar. Nesta revista, endereçado diretamente a mim, um artigo de um filósofo clínico e uma explicação do que é a filosofia clínica.

Tive o privilégio de me iniciar na filosofia clínica como partilhante da querida Nichele que então residia em Curitiba. Gostei tanto e me identifiquei tanto que ia iniciar o curso com ela, mas por um fato do destino ela teve que regressar a Porto Alegre em seguida. Perdi todos os contatos, mas um dia soube de uma palestra em Curitiba do Lúcio Packter. Novamente aquela chama interna se reacendeu, marquei consulta com ele e passei a ser partilhante do Lúcio desde então.

Para não me alongar: em nossas caminhadas sob as frondosas árvores do centro fui percebendo que não vivia o que queria viver e este era o grande problema que me fazia infeliz. Inscrevi-me no curso de filosofia clínica que já estava organizado em Curitiba. Iniciado o curso pensei porque não estudar Filosofia já que este era um requisito para se tornar um filósofo clínico. Fechei meu escritório, voltei aos bancos da faculdade, terminei minha pós em filosofia clínica e ao final deste ano termino a faculdade de filosofia.

Mudamos ao longo da vida. Os caminhos não obrigatoriamente devem permanecer os mesmos. Espero em breve fazer parte dessa maravilhosa caminhada com meus colegas que me trouxeram até aqui. Teria muito mais a relatar, mas o espaço é curto e o essencial já disse.

Liana Zilber Vivekananda – Curitiba/PR

• Novos Caminhos

Movido pela necessidade de realização e sempre em busca de conhecimento e experiências que contribuem com o crescimento pessoal e profissional, encontrei na Filosofia Clínica o caminho para atingir os resultados desejados.

A Filosofia Clínica me mostrou como as limitações auto-impostas, os preconceitos, colocam uma barreira invisível em nosso caminho.

Não podemos crescer presos dentro destes limites auto-impostos. Para deslocar a linha dos próprios limites e , ir além deles que nós e os outros estabelecemos, a Filosofia Clínica nos dá ferramentas nos auxiliam nesta caminhada para fazermos as mudanças desejadas.

Joaquim Paim Neto – Porto Alegre/ RS

• Agradecimento

Nichele querida, falar sobre a Filosofia Clínica é falar sobre você! Parece redundante, mas você respira Filosofia Clínica e, talvez seja por isso que faz o que faz tão bem.

Se hoje eu sou uma pessoa melhor é porque você fez a diferença na minha vida. Eu só tenho a agradecer e desejar que você e a Filosofia Clínica continuem ajudando milhares de pessoas a se tornarem melhores.

Desejo muito sucesso nesta nova caminhada!

Um beijo

Ana – Curitiba

• Depoimento sobre a Filosofia Clínica

Eu soube da existência da Filosofia Clínica já nos seus primeiros tempos, em 1998, através de um colega. Fiquei muito interessada, mas esta informação acabou registrada e guardada nos recônditos da mente. Na época eu estava fazendo minha especialização em Terapia Floral. Após muitos anos, em 2011, quando eu buscava uma outra formação, foi que uma amiga me falou da Filosofia Clínica. Então, o interesse guardado por tantos anos veio à tona e engrenou a toda desta vez.

Com o foco na Filosofia Clínica, comecei antes o curso de Filosofia a distância, na Unisul. Mas na metade do mesmo ano eu resolvi investigar melhor sobre a Filosofia Clínica, que era o meu objetivo final e soube que iria iniciar um curso em Florianópolis, onde resido. Como eu estava no momento em Porto Alegre, a professora Mariza gentilmente me convidou para participar das aulas dela, o que foi decisivo para mim, pois adorei suas aulas e a Filosofia Clínica, então, entrou “redondinho”, entrosando bem com o que eu já tinha estudado na Terapia Floral.

Em setembro de 2012 iniciei o curso de Filosofia Clínica em Florianópolis, com o professor Bruno Packter, o qual ajudou muitíssimo para o meu já grande interesse por esta abordagem clínica-filosófica e estou enganjada totalmente, estudando, lendo o que posso sobre este assunto, que entrou tão fortemente na minha vida.

A Filosofia Clínica tem me ajudado muito na vida, nas minhas relações, no entendimento sobre eu mesma e sobre o outro, entendendo que cada pessoa funciona de um jeito próprio. Tenho procurado ouvir-me melhor, cuidando mais dos meus pensamentos, pois as abstrações são o meu ponto forte. Portanto, a Filosofia Clínica entrou na minha vida para ficar e pretendo poder ajudar-me cada vez mais e ajudar outras pessoas com este terapêutica filosófico-clínica.

Nadja Mota – Florianópolis – SC

• A Filosofia Clínica na minha vida

Andei questionando que papel o estudo da filosofia clínica tem cumprido em minha vida e cheguei a inúmeras conclusões. Sou habilitada para a pesquisa dentro da filosofia clínica pois ainda não conclui meu pré-estágio terapêutico. Aliás, não tenho pressa em continuar, tendo em vista, os ganhos que tive com esse estudo.

A filosofia clínica abriu meu conhecimento de mim mesma. E creio que esse deva ser o primeiro passo para as pessoas que pretendem atender outras pessoas. Antes da filosofia clínica em minha vida eu escrevia e simplesmente detestava tudo o que escrevia. Mas, sempre gostei de me expressar pela escrita.

Meu professor e filósofo clínico Hélio percebeu isso, essa minha singularidade. Eu não só fui incentivada por esse mestre-amigo, mas também, fui descoberta como um ser que necessita 
expurgar pela escrita as dúvidas da existência e as dores de existir.
Desagendei muito durante meu processo.

Cresci como ser humano, me desnudei de complexos e recatos. Sou mais coerente comigo mesma.

Descobri que sou expressão pura e profundamente reflexiva e questionadora. Hoje eu consigo aceitar um pouco melhor minha singularidade, percebo que não há tanta necessidade de me identificar, porque descobri que nenhum ser é igual a outro. A coisa mais linda dessa abordagem terapêutica é a questão da importância da singularidade. Sim!!! Não podemos tratar uma pessoa com pré-juízos. Não existe classificação. Somos únicos. Isso é lindo demais!!! E, se somos únicos, não deveríamos julgar tanto como o outro se apresenta dentro dos inúmeros papéis existenciais que a vida o apresenta. Digo não deveríamos pois ainda exercito essa “suspensão de juízo” tão presente na história da filosofia antiga.

O processo autogênico que o estudo da filosofia clínica cumpre em minha existência, é por si só, capaz de responder o porquê de estudar tanto essa abordagem terapêutica. O “ser-terapeuta” é apenas um detalhe para a vida do filósofo clínico. Claro que é um detalhe muito importante e necessário. Entretanto não é o que há de maior valia na filosofia clínica. O método é muito bem estruturado, cada detalhe dos exames categoriais deve ser muito bem pesquisado. Por isso é muito importante fazer terapia antes de ser um terapeuta. Somente alargando o pensamento a respeito de mim mesma poderei ter um olhar mais humano e humilde para a historicidade do outro.

Quem tem o dom de cuidar, certamente, se identificará com a filosofia clínica. Cuidar não é simplesmente escutar e aplicar o método desenvolvido por Lúcio Packter, é muito mais que tudo isso.

Cuidar é amar a vida do outro tendo consciência de que grande parte das pessoas que procura um profissional terapeuta está em processo de crise, sofrimento! Sem essa consciência não haverá êxito no processo de terapia com essa abordagem tão singular.
É necessário muita cautela antes de um filósofo clínico iniciar o papel de terapeuta. É necessário muito amor, carinho e dedicação! Temos que nos conscientizar que isso não é uma tarefa assim tão simples. Para muitos, até pode ser simples, entretanto, para outros o “ser-terapeuta” pode ser muito perigoso.

Hoje consigo entender as palavras do professor Hélio Strassburger ao dizer que é um “homem do mundo”. O ser-terapeuta é quase um sacerdócio! Uma renúncia de parte de si para a partilha com o outro. Creio que só com esse pensamento poderemos um dia desempenhar papel tão significativo que é o de terapeuta filosófico.

Vanessa Ribeiro – Petrópolis – Rio de Janeiro

• Mudando de Carreira –  Uma forma diferente de ver a vida

Minha história com a Filosofia Clínica iniciou justamente porque precisava  mudar de carreira. Até então, por volta de meus 30 anos de idade, era professora de ballet clássico. Depois de um acidente não pude mais dançar ou fazer qualquer tipo de exercício. Aí iniciei uma busca por outra profissão. Fiz curso de culinária, sorvetes e tortas geladas, aprendi tricô e dei aulas particulares para adolescentes.

Nessa caminhada surgiu a possibilidade de conhecer a Filosofia Clínica. Como estava cursando a graduação em Filosofia optei por ver do que se tratava. Achei interessante e resolvi seguir os estudos. Na época dos estágios supervisionados foi que percebi que poderia ser um novo campo de atuação.

Desde 2001 trabalho com terapia individual. Fiz também atendimentos em hospitais e escolas. Mas sempre no campo individual. Esses atendimentos foram e ainda são para mim um divisor de águas.

A partir do momento em que uma pessoa partilha com você a historia de vida dela, você percebe o quanto importante é o ato de ouvir e mais ainda o de acolher. O acolhimento passou a ser fundamental em minha existência. A humanidade se revela aí. Acolher, ouvir sem julgar e sem interferir de forma equivocada, sem colocar ao outro nossos valores e ideias de forma precipitada me trouxe paz. Isso mesmo paz. Quando você percebe e compreende a singularidade do outro sua inquietação interior se cessa. Passamos a não colocar no outro expectativas nossas, não esperamos do outro aquilo que ele não pode nos dar.

Consegui não só uma nova profissão, mas uma forma diferente de ver a vida, o mundo, as pessoas.

Profa. Dra. Marta Claus – Filósofa Clínica Diretora do IMFIC

• Minha vida – Meus sonhos

Falar de mim mesma, da minha vida, dos meus sonhos, dos meus papéis existenciais construídos ao longo da minha vida, em poucas palavras, pode ser dito assim: mulher, filha, esposa, mãe, amiga, e acima de tudo pessoa extremamente humana e que corre atrás dos seus sonhos, ainda que pareçam impossíveis (é o que acho de mim mesmo).

Minha formação constitui-se em Bacharel em Teologia e Especialista em Ciências da Religião pela Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil – FACETEN (Boa Vista-Roraima); Licenciada em Filosofia pela Faculdade Evangélica do Meio Norte (Coroatá-Ma); Especialista em Filosofia Clínica pela Faculdades Itecne de Cascavel-Paraná e Filósofa Clínica, pelo Instituto Packter- Porto Alegre-RS.

Poderíamos partir do ponto de como a Filosofia Clínica mudou minha vida… Aliás, ela chegou quando a minha vida estava começando a mudar, a tomar outro rumo. A antes dona de casa, mulher, esposa e mãe, voltara à sala de aula… Isso mesmo, depois de vinte dois anos distantes dessa realidade, novamente me vejo às voltas com o conhecimento, com novas amizades, nova realidade. Formava-se então um novo contexto, que me motivava a seguir em frente ao mesmo tempo em que me fazia querer permanecer da forma que estava antes – eu não queria acabar com a minha paz familiar – meu casamento ficou mexido com tudo o que estava acontecendo, isto porque meu marido a princípio não aceitou tão brusca mudança da minha parte – eu não queria mais apenas aqueles papeis, eu queria outros, sobretudo queria ser terapeuta de fato e de direito.

Conheci a Filosofia Clínica quando fazia faculdade de filosofia – foi amor à primeira vista, lembro…

Encantei-me com cada coisa que ouvi de uns colegas da faculdade sobre uma palestra de Lúcio Packter na UFPI (Universidade Federal do Piauí). Sabe, sempre tive inclinação para cuidar do outro. O outro nunca passou por mim despercebido, seja no lado material, espiritual, emocional, enfim.

Dessa forma, foi só o tempo de poder começar o curso de Filosofia Clínica para me sentir mais próxima do outro, para querer ouvi-lo, caminhar junto, entende-lo no seu contexto. E bom é que isso começou dentro da minha própria casa, no convívio com os meus. O outro estava tão próximo… Portanto a maior beneficiada fui eu mesma.

A Filosofia Clínica me ajudou a superar preconceitos que podem nos causar dores profundas. Ela me fez perceber que antes de querer mudar o outro, talvez seja preciso mudar a nós mesmos.  Nesse sentido podemos falar de como ela pode transformar a vida de pessoas, transformar contextos…

Vale dizer que minha formação inicial, ou seja, em nível de segundo grau foi técnico em administração pela antiga Escola Técnica Federal do Piauí, o que me rendeu meus dois primeiros empregos em duas grandes revendas de automóveis no setor administrativo. Daí, talvez, a minha inclinação em também desenvolver um trabalho com a filosofia clínica na consultoria de pessoas dentro das organizações.

Trabalho que tem me motivado e tem me feito aprender e querer continuar aprendendo. E a cada dia sinto que realmente era preciso que surgisse a filosofia clínica para ser uma das respostas na minha vida e na vida de muitos que estejam abertos para vivenciar tal experiência. Posso dizer que ela mudou a minha vida, como também a vida dos que estão ao meu entorno sem sombras de dúvidas.

No presente momento sou professora na FLATED – Faculdade Latina Americana de Educação e atuo no meu consultório como filósofa clínica. Com a concessão de um centro de formação para funcionamento em duas cidades do Piauí, pretendo, brevemente, acabar de concretizar essa busca.

Dessa forma tenho como foco atualmente a clínica filosófica, sala de aula, palestras, cursos de formação e capacitação e consultoria de pessoas.

Grata pela oportunidade de compartilhar experiências,
Abraços.

Ana Maria Gomes Almeida – ME-0066-10A

• Um Encontro Amoroso

O olhar sobre o mundo dentro e fora de minha casa, ainda na minha infância, onde via minha família e vizinhos em adoecimento e sofrimento podem ter influenciado minha opção na escolha pela medicina.

Um desejo forte de ajudar o outro me acompanha e sempre me acompanhou. No entanto, já no primeiro ano do curso veio a decepção: um curso de disciplinas fragmentadas onde não havia um rosto, um corpo, sujeito, pessoa inteira. Sempre me recordo do bisturi na mão e do quadro lição de anatomia de Rembrant. Ali tudo começava e terminava e abadia cedo o meu sonho de estar com o outro numa relação de cuidado e apoio da qual eu acreditava a medicina deveria tratar.

Optei então por dar aulas, para levar meus alunos ao pensar criativo e humano da relação médico – paciente: escuta, diálogo, compaixão. Desde já tentava eu focar a atenção no doente e não na doença. Já nesta época eu fazia uso de ilustrações e conteúdos de arte pois acreditava ser a medicina arte, o corpo arte, sensações.

O tempo passou me aposentei e abri de novo a janela do mundo e vi que o acelerado processo de desenvolvimento tecnológico, os templos de consumo, o interesse e a ganância por lucros, o poder da indústria farmacêutica, a medicalização da sociedade e a fragmentação crescente do ensino da saúde, deixavam em segundo plano valores humanistas como as emoções, solidariedade, fraternidade. “Nunca a Filosofia se fez tão necessária aos humanos quanto nos dias atuais onde os problemas existenciais acontecem em uma velocidade maior que os avanços tecnológicos” (M. Aiub.)

Consequentemente o cuidado integral do individuo, a capacidade de autonomia e autocuidado foram abandonados. Desconsiderava-se a importância de outros aspectos que poderiam contribuir para o adoecimento como o trabalho, as relações sociais, o meio ambiente. Assim fui em busca de caminhos que me levassem ao encontro do “eu -tu” “eu-mundo”.

Ao caminhar pelas ruas de minha cidade encontrei um folheto que dizia: Aula inaugural de Filosofia Clínica – Prof. Hélio Strassburger. Estava posto! Fui e ali estava o que buscava. A Proposta de Lúcio Packter me tocou e deu ferramentas para construir,  com os elementos que eu já tinha, uma nova forma, um novo modo de encarar o mundo e de acolher  o outro que a mim vinha em sofrimento ou em “assuntos” necessários ao seu próprio entendimento e busca de bem estar “Cada pessoas é única do princípio a eternidade. Cada pessoa ama, perde, vive, recebe, doa, participa, faz coisas de modo inédito, único”.

Fazer o curso de FC já significa muitas mudanças em si próprio – sua terapia já começa – pois ao ser Filosofia e ao ser Clínica seu processo de reflexão, autoconhecimento e dúvidas se põe em curso.

Não parei mais de estudar, ir aos encontros, ler. Tive sorte de conhecer e discutir com a Monica, o Will, o Lúcio, o Deleuze, a Olga, Nietzsche, Mariza, Buber, Foucault, Merleau – Ponty, VOCÊ e tantos outros que, é impossível citar a todos.

Hoje dou aulas de FC para grupos de mulheres e ando pelas ruas a falar desse “apaixonante exercício do filosofar”. Lamento não poder aí estar.

Abraço a todos pela iniciativa e participação, pois creio que a Filosofia por sua essência humanista pode auxiliar os profissionais de todas as áreas. Estando presente no processo de formação, permanecendo dia após dia na forma de reflexões, conversações grupos de estudo, no consultório, na sala de aula, empresas, no hospital, na porta das fábricas, na rua, cuidando e participando da sua relação com o outro.

Continuo com muitas dúvidas, angústias e sigo sem saber se terei respostas, se elas existem, se preciso delas. Sigo. Até.

Neysa

• Trajetória de uma vida, cheia de Sonhos e Buscas

Falar de si nem sempre é fácil, poderia dizer que somos muitas facetas em diversos momentos sem perdemos a essência de nós mesmos. Qualquer ser humano seja homem ou mulher, pai ou mãe, filho ou filha, amigo ou amiga, marido ou esposa, buscam em si e/ou nos outros um sentido para tudo que fazem, constrói e partilha, tropeça e levanta, seguindo em frente respeitando cada um como único ou não?  Durante seu processo de desenvolvimento.

Poderia começar dizendo que o saber esteve presente em diversas etapas da minha vida e, seja ele em qualquer uma das áreas. Os novos estudos precisavam dizer-me algo no que buscava como projeto e crescimento, tanto profissional como pessoal.

Minha primeira graduação foi em Contabilidade, posteriormente Pedagogia empresarial e, algumas especializações como Pós-graduação em psicopedagogia, MBA em Gestão empresarial, Formação em Coaching, e, atualmente estudante de filosofia clínica.

A minha carreira profissional, na maior parte foi e continua sendo dentro da área comercial, executiva em grandes empresas multinacionais, sempre com objetivos claros, metas, resultados, planos de ações, equipe de alta performance e diversificada, desafios e mais desafios,  etc.

Desconhecia os estudos da Filosofia Clínica e, aos poucos fui tomando conhecimento até que surgiu a ocasião de sermos apresentadas, rsrs… Ouvindo como a pessoa falava, relatando fragmentos do curso, algo aparentemente simples e ao mesmo tempo muito profundo, fazendo todo sentido naquele momento e, abrindo-se uma nova possibilidade de mudança, diferente de tudo que vivi até hoje.

Fiquei literalmente encantada e, naquele mesmo dia fui buscar informações. Logo em seguida estava matriculada no curso de Filosofia Clínica. Cada aula, um novo aprendizado e mais empolgada com tudo que descobria de novo. No meio desses novos conhecimentos quebraram-se alguns paradigmas, também senti que há espaço para desenvolver tarefas com algum ingrediente mais humano principalmente dentro das grandes organizações. Onde neste contexto os critérios são seletivos e cruéis dando poucas chances aos profissionais de superarem as dificuldades encontradas durante o trajeto e conseguirem trabalhar melhor sob pressão o tempo todo e sempre focados em resultados mensuráveis.

Iniciei meus estudos fazem dois anos e, atualmente várias mudanças fizeram e fazem parte do meu cotidiano, visíveis alguns e sutis a tantos outros. Quando optamos por uma virada, seja pensando no bem estar, mudança de carreira, qualificação, considerando a nossa decisão o sucesso e o crescimento do indivíduo é perceptível além da satisfação de algo realizado pelas nossas escolhas.

Escutar, criar, construir foi outro grande ensinamento, maravilhoso, belíssimo, permite que o outro participe de fato, principalmente quando exercemos este poder de saber ouvir, ouvimos a nós mesmos, ouvimos os movimentos do todo e, de como iremos continuar, de como iremos juntos atingir patamares elevados respeitando o tempo e espaço de cada integrante.

Buscar novas oportunidades pode acontecer em qualquer momento. Mudar ou não, decisão única de cada um? Possível a todos ou alguns? E você?

Obrigada por ter compartilhado a minha experiência inicial nesta área de conhecimento, em pleno processo de mudanças e, feliz por ter conhecido a Filosofia Clínica e seu mundo de aprendizado.

Renice Cortezi – Porto Alegre

• Sonho Realizado

A Filosofia Clínica apareceu em minha vida no momento em que buscava mudar de profissão e realizar um antigo sonho, ser terapeuta. O conceito de singularidade me conquistou, sempre acreditei que cada um possui um jeito único de ver o mundo e assim conduzir-se nele.

Direcionei minha graduação para o curso de Filosofia, na Universidade Federal de São João del Rei-UFSJ  e logo após fiz a especialização.

Hoje atuo em consultório com atendimentos individuais, e uma grande alegria e satisfação enche minha vida quando percebo a importância de se aprender a ouvir e respeitar o outro. Ajudá-lo na medida do possível e assim vê-lo seguir adiante seu caminho.

Outro espaço enriquecedor é o Centro de Convivência Arte Feliz, projeto pertencente à Secretaria de Saúde Mental da prefeitura de São João del Rei/MG, onde realizo trabalhos em grupo utilizando o Submodo Esteticidade Seletiva. A arte proporcionando um novo olhar sobre si mesmo, seu entorno e suas relações.

Ana Cristina da Conceição – São João del-Rei/MG

• Pronta para vivenciar Novos Desafios

Meu nome é Monica Seibel. Sou licenciada em Filosofia, especialista em Filosofia Clínica e em formação para filósofa clínica.

Quem eu sou? Estou descobrindo. Somente sei quem fui. Agora estou neste árduo, mas gratificante exercício, seguindo  a orientação de Sócrates, conhece-te a ti mesmo. Até 15 de dezembro ainda sou diretora administrativa da Apae aqui da minha cidade. Digo que ainda sou, porque no dia 16 de dezembro sou uma pessoa pronta para vivenciar novos desafios. Na Apae trabalho há exatamente 20 anos. Não é pouco tempo. E não foi uma decisão fácil de ser resolvida. Emoções e sentimentos se fizeram muito presentes.

Na Apae vivenciei tantas situações que uma parte muito grande de mim é quase uma Apae (aliás, preciso resolver isso também). Lá vi pessoas crescerem, casarem, terem filhos, hoje até adolescentes, perdas de entes queridos, inclusive minha mãe. Lá vivenciei o primeiro passo de um portador de paralisia cerebral e o sorriso daquele que ouviu a primeira vez. Vi pais entrarem na escola chorando, achando que o mundo havia acabado, e hoje sorrindo e felizes pela descoberta da pessoa maravilhosa que receberam para cuidar. Fui confidente de tantos colegas. Ajudei nas separações e reconciliações.

Tive que dar noticias tristes e alegres. Lutei com todas as minhas forças por essas pessoas denominadas especiais (para mim todas as pessoas do mundo são especiais), mas é um diferencial necessário para que as demais compreendam com quem estamos trabalhando.

Foi um período maravilhoso, mas infelizmente pelo caminho vamos encontrando egos, jogos de poder e o ser humano consegue mostrar sua parte mais obscura e acabamos vitimas deles. Às vezes não é mais luta a solução e sim partir para novas direções.

Contar minha historia seria longo demais. Sou muito detalhista. Minha historicidade levou quase oito meses. Coitado do meu terapeuta. Mas como na filosofia clínica é respeitada cada singularidade fiquei tranquila.

Conheci a Filosofia Clínica no primeiro ano da faculdade através de um professor simpatizante que sugeriu um fórum de estudos sobre o tema. Quando comecei a pesquisar posso afirmar que encontrei o tesouro que procurava há tanto tempo. Minha empolgação foi tamanha que naquele momento resolvi que seria uma filósofa clínica apesar da oposição dos filósofos mais tradicionais. Nem preciso dizer tudo que escutei, mas para mim não só já estava decidido como vinha de encontro aos inúmeros questionamentos que fazia a respeito da vida, do ser humano e principalmente do papel da filosofia no cotidiano. É realmente tirar os conhecimentos das prateleiras e levar para a prática.

Fiz a faculdade esperando ansiosamente o primeiro dia de aula no Instituto Interseção em SP, o mais próximo da minha cidade. Na gíria diríamos “encontrei minha turma”. Cheguei tímida, e logo já fui me identificando com os pensadores e os instrumentais da filosofia clínica. A questão da historicidade e das ferramentas utilizadas para realmente contribuir nos questionamentos do outro para mim são uma descoberta infinita. Logo comecei minha terapia e aí minha vida realmente se transformou. A decisão de sair do meu trabalho de 20 anos faz parte do meu exercício filosófico. Mesmo de forma intuitiva sempre vi o outro como um ser com suas complexidades, a Filosofia Clínica somente confirmou e me ajudou a melhorar este pensamento.

A questão da linguagem através de Wittengenstein me auxiliou a melhorar a convivência, fundamental para quem como eu, tem que atender por dia 35 profissionais, alunos e pais. Quando consegui compreender a questão dos significados, das semioses, tudo ficou muito mais fácil. Olhar o outro na sua real construção, fez com que eu não entrasse mais em choques desnecessários e passo a ser uma investigadora da essência do outro. Minha vida se transforma neste instante, o outro é um mistério que merece meu respeito e minha dedicação.

A Filosofia Clínica transformou a minha vida em tantos aspectos que aqui na minha cidade já comecei o processo de divulgar a Filosofia Clínica como terapia. Faço cafés filosóficos clínicos que tem tido uma boa participação das pessoas. Muitas me telefonam para saber quando farei o próximo. Já estou em estágio supervisionado e minha partilhante já tem se movimentado positivamente. Muito informalmente, sem utilizar a Filosofia Clínica, a conversa se torna esclarecedora.

Poderia contar muito mais, mas creio que o essencial esta aqui. A filosofia tem esse papel fundamental de pensar junto com a pessoa sua própria existência, suas questões e maneiras de lidar com ela e na contra partida o filosofo clínico aprende com as questões do outro para também pensar sobre suas próprias questões. Nada melhor que amigos conversando (Philos e Shofia).

Monica Seibel – Ilhabela – SP