A ética na educação e na cuia do chimarrão

A ética na educação e na cuia do chimarrão

Conhecemos muitas palavras que pretendem esclarecer ou definir o que é ética e o que é educação. Contudo, o educador é aquele que estabelece práxis, ou seja, cria vinculo entre teoria e prática.

Compete aos educadores e compreenda-se sempre às educadoras, ajudar a pensar, e isto lhes confere o grau de questionadores, onde a resposta certa é ouvir o pensamento do outro, estabelecendo possibilidades de diálogo.

Neste diálogo, o conhecimento interpela os mais variados assuntos, estabelecendo no movimento dialético do pensamento justamente: o pensamento e a ação.

Podemos dizer eu todo o ato criativo sensível e necessário à felicidade humana, e consequentemente ao bem estar social, nasce de um pensamento mapeado pela inteligência e concretizado na ação.

Ética “é tão somente fazer o bem” disse Aristóteles (filósofo grego 384-322 a.C)
Será que precisamos de muitas teorias para compreender o que é fazer o bem?

O bem compreende o equilíbrio de todas as coisas e começa com o cuidado de si mesmo.  Um cuidar de si consciente, que precisamos uns dos outros.

O que você ouve? O que você pensa? O que olha no seu cotidiano? Como exercita a faculdade do SENTIR?

Sentimos afeto, sentimos tristeza, alegria, raiva, sentimos que a hora chegou, sentimos que quem amamos, partiu…

Para aprender, é preciso compreender, e quando compreendemos, as dúvidas se dissipam.

Podemos ensinar as quatro operações, as regras da Língua Portuguesa, a localização de cidades no mapa, mas precisamos educar os nossos sentimentos, para conviver com os outros.

Educar os sentimentos requer em primeiro lugar o respeito. Respeito para conosco, de como nos alimentamos, de que forma cuidamos das nossas necessidades físicas, mentais e espirituais. Como cuidamos da nossa mente? Através das leituras que fazemos, dos pensamentos que emitimos.

A fé, a partilha, a prática do bem, reabastecem a nossa energia.

Bem, estamos chegando na cuia do chimarrão!

O chimarrão é uma das poucas coisas que não podemos comprar pronto. O ritual do preparo, escolher a erva, sentir o cheiro da seiva, esperar a água chiar, é um exercício para a tolerância.

Pode ser companhia para os solitários, pode ser motivo para reunir os amigos e estabelecer aquela prosa. Estabelece o respeito pelo outro, pois quando saboreamos o chimarrão, conversamos e também discretamente calculamos um tempo, porque o outro está esperando.
Vivemos num tempo em que os limites (ensinados pelos nosso pais, avós e professores)se perdem, para dar lugar a um mudo que parece pertencer aos espertos.

Enquanto isso, a rodada de chimarrão vem nos dizer que: “ o mundo é dos que cooperam”. Muitas vezes perguntamos: de quem é a vez agora?

A Pedagogia do bom senso, é o limite flexível que gera o encanto e o respeito pela ética e pela educação. Com isso quero dizer que: bom senso se aprende convivendo com os outros. O bom senso junto ao conhecimento precisa marcar mais presença na família, na escola, no trânsito, no discurso de alguns líderes, nas atitudes dos mais prósperos.

O chimarrão tem seus ritos e suas regras e nos ensina a lição do afeto, do diálogo, da atenção pela pessoa do outro e não raras vezes também a lição do silêncio, da paz e da sensibilidade.

Poderia citar vários educadores, autores que já escreveram muitos livros, que nos fazem pensar sobre Ética e Educação, mas por hoje vou citar um trecho da música Seiva de Vida e Paz e Silvio Genro  (gravada por João Chagas Leite)

“Quando vires pelo pago,
O ritual do chimarrão,
Unido patrão e peão
Reza para que a humanidade,
Partilhe dessa igualdade  em campeira comunhão .
Se os senhores da guerra, mateassem ao pé do fogo
Deixando o ódio pra trás,
Antes de lavar a erva
O mundo viveria em paz!”

Viva a sua ética, desligue um pouco a televisão, para ouvir a voz e respeitar a vez dos que convivem contigo…

Martha Luci Sozo –  Doutora em Educação, autora de livros e artigos  na área da educação, liderança, espiritualidade e filosofia. Poetiza.
marthaluci@terra.com.br
(Artigo publicado nos Jornais: Correio de Gravatai, Cachoeirinha e Viamão)

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